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Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

26.03.21

Destino...

V.

Há dias que são anos e anos que são dias... Quando na escuridão, os dias arrastam-se, demoram-se, repetem-se iguais uns aos outros e nada nos faz sorrir. Cabe num dia uma eternidade até chegar o alívio do sono... para os que conseguem dormir. Quando estamos felizes, o tempo urge e corre como um rio no seu leito, os dias são meros piscares de olhos. Não podemos parar o tempo, como não podemos parar o rio. Só nos é permitido conhecer aquela sensação de que, naquele preciso momento, tudo está bem, tudo é perfeito e guardar essa recordação. É tudo tão frágil, tão efémero que quando esses momentos surgem, nos queremos agarrar a eles. Passamos depois tanto tempo à espera de os repetir, na ilusão talvez, de que podemos até voltar atrás no tempo.

Temos a nossa vida e felicidade suspensas nos fios delicados do destino, da vontade alheia, do acaso, das nossas próprias fraquezas. Queremos acreditar que controlamos esses fios, que não somos nós as "marionetas" e sim os protagonistas da nossa vida. Todavia, pergunto-me cada vez mais, se assim é. Podemos lutar, enfrentar, trabalhar. Podemos ser corajosos, honestos, idóneos. Podemos ser tudo que as "filosofias" nos dizem que devemos ser e ainda assim não conseguir a tão almejada felicidade. Podemos alcançá-la, sentir que estamos realizados e de bem com a vida e basta um carro extraviado, uma doença, uma queda, um acidente para deitar por terra tudo que construímos.

Andaremos nós às voltas e voltas para chegar a um mesmo destino? Podemos nós controlar realmente a nossa vida?

Podemos dar o nosso melhor. Viver um dia de cada vez, sonhar e planear com a certeza porém que teremos que mudar sonhos e objetivos pelo caminho. Podemos amar e sorrir, trabalhar e fazer o que nos dá prazer. Podemos ter as nossas pessoas, atividades e as nossas paixões. Podemos ter a nossa bondade e a nossa paz. Controlar o que é controlável, lutar pelo que queremos, enfrentar os nossos medos e a vida de frente e, no fundo, rezar para que o aleatório, o caos, o imprevisível não destrua o nosso castelo de ilusões.  Podemos ter esperança, podemos ter fé, podemos querer. O resto... bem, o resto é o resto e só o amanhã o dirá...

22.02.21

Estranha forma de vida

V.

Estranha forma de vida esta. Sabemos quem somos porque nos fomos conhecendo bem ao longo dos anos... intrinsecamente, intimamente, sem segredos ou falsidades. Há momentos de afastamento, outros de aproximação. Às vezes rimos, outras chorámos, mas não há barreiras, nem limites.

Ainda assim há tanto para conhecer, tanto para descobrir, todo um "mundo" escondido e fechado por trás de "portas". Tanto vazio e tanto silêncio por preencher que, às vezes, é desconfortável e recheamos o ar de ruído só para "fazer companhia".

Sim, é isso mesmo, quando achamos que nos conhecemos completamente, eis que nos apercebemos que já mudámos e temos que recomeçar o caminho do auto-conhecimento novamente.

15.02.21

Proximidade...

V.

Senti os raios de sol e pensei: temos o mesmo céu, somos aquecidos pelo mesmo calor, vemos as mesmas nuvens e sentimos a mesma brisa. Tive este sentimento de proximidade que tanta falta me tem feito. Proximidade... algo que dávamos por garantido, se não com toda gente, pelo menos com algumas pessoas. 

No próximo mês faz um ano que perdi a proximidade e com ela foi-se grande parte do carinho, conforto, gargalhadas e claro, convívios. Dizem-nos que estamos perto do fim, ou que está quase. Este quase tarda a chegar, cresce o desespero de dia para dia e fica a pergunta "E depois?". Sim... e depois? será tudo igual? voltaremos a carregar no botão de "play" da vida e retornará tudo ao que era? Seremos nós as mesmas pessoas que éramos há um ano atrás? 

Com a falta de proximidade muita coisa mudou, relações se transformaram, pessoas mudaram, negócios fecharam, corações se partiram, outros se descobriram. Aqueles que perderam tanto não poderão ser mais os mesmos, terão que encontrar novas motivações e alegrias. Eu sei que eu não sou mais a mesma, nestes meses de clausura encontrei partes de mim que desconhecia, alguns sentimentos mudaram, outros ficaram mais fortes resistindo à passagem do tempo; sou, talvez até, mais autêntica, mais eu. Não perdi a esperança, a fé e a vontade de viver, mas também novos medos se alevantaram, novas dúvidas se instalaram e fantasmas antigos voltaram. 

Olharemos uns para os outros com mais compreensão e compaixão? ou seremos mais desconfiados? Será que haverá uma proximidade maior? Cumplicidade? Ou o afastamento, ainda que não físico, permanecerá? Eu quero crer que algo de positivo poderá sair depois de todo o sofrimento, que o Homem aprenderá a dar mais valor ao que realmente interessa, que estamos todos mais cientes da nossa própria mortalidade e, como tal, daremos mais importância à vida e aos seus pequenos prazeres. Ah a minha eterna esperança na Humanidade, tão boa que ela é e tantas vezes me desiludo por causa dela. Mas oh quando ela não desilude, quão magnífico é ver a Humanidade no seu melhor.

Fica então aqui a minha esperança que depois de tudo isto, o mundo seja melhor... com mais compreensão, cumplicidade e compaixão. Que honremos os nossos mortos construindo uma sociedade melhor em seu nome; que o que foi destruído dê lugar ao renascimento; que confortemos em conjunto os que sofrem até sararem; que possamos dar as mãos uns aos outros; amparar a vida com amizade e carinho e crescer enquanto humanidade. Que um dia quando nos perguntarem "Então e depois?", que a nossa resposta possa ser "Bem... depois houve proximidade".

10.02.21

Ele está aí...

V.

Os pássaros saíram dos ninhos,

voavam em círculos de felicidade 

E gritavam "ele saiu, ele está aí" 

As gotas da chuva brilhavam na relva como diamantes,

enfeitando os campos com o seu brilho

As árvores e flores esticavam os braços,

espalhando o seu aroma

A terra suspirava aliviada pela pausa ansiada,

sentindo o calor chegar às raízes

O mundo acordava depois da clausura,

numa dança alegre com a natureza,

buscando novas aventuras

Os rios galopavam para o mar,

fustigando as margens cansadas

E o mar recebia-os de braços abertos,

aceitando os seus filhos com a força do seu dorso

As borboletas saíam dos casulos,

trocando a proteção por asas

E as abelhas da colmeia,

em busca do pólen da vida

Todos gritavam "ele saiu, ele está aí" 

Numa alegria desmesurada de quem experimenta a vida,

de quem tem sede de viver

Afinal, sol é vida e ele saiu, ele está aí...

 

15.12.20

Reflexão

V.

Bom é amar e ser amado, é acordar ao lado de quem nos faz sorrir no segundo que abrimos os olhos. Bom é olhar no espelho e sentirmos orgulho da pessoa que somos, sentir que, com escolhas melhores ou piores, vivemos a vida cabalmente, que enfrentamos a vida com coragem, determinação e bom senso. Bom é aprendermos com as lições que a vida nos dá, sem julgamentos ou recriminação e não mantermos o padrão das expectativas sufocantes que nós mesmos criamos.

Mau é viver uma mentira para manter o status quo, percorrer a vida numa letargia consciente, cientes de que este não é o nosso propósito. Mau é viver agarrados a uma crença limitante de que a vida não nos trará mais nada para além disto. Viver na ilusão de que nos sacrificamos por um bem maior, apenas e só, porque temos medo das consequências. Não amar, nem permitir que mais ninguém ame pela nossa cobardia. Impedir o outro de viver uma vida e um amor pleno, porque estamos convencidos que, se não formos nós, não será mais ninguém.

Nos vislumbres de felicidade absoluta que vivi, percebi quem eu sou. Ao teu lado descobri esta mulher ameninada, alegre e brincalhona, esta mulher que solta uma gargalhada que vem de dentro e é genuína. Não esconde o seu sorriso, não tem vergonha da sua nudez, é sedutora e voraz. Cabe nela a dicotomia, é um ser de luz e abraça a sua escuridão, os sorrisos são tão sentidos como as lágrimas, brinca com a mesma sinceridade com que revolve os seus medos e traumas. Esta mulher que fizeste conhecer, sabe que tudo o que se passou na sua vida a tornou mais forte e confiante, mais sábia e compassiva. Não é uma vítima, não é fraca, não é produto da vida, pelo contrário, comanda a vida. É um ser paciente, mas com limites, é independente e completa, mas tu acrescentas à sua felicidade. Vive sem ti, claro... simplesmente não quer e esta mulher, luta pelo que quer. Tem leveza e muita intensidade, gosta de ti pelas tuas virtudes e ama-te conhecendo os teus defeitos. É uma guerreira muito feminina, uma senhora muito louca, uma menina muito matura e sente a vida todos os dias, o bom e o mau, o dia e a noite, a alegria e a tristeza, porque sabe que um não existe sem o outro. Esta mulher viu em ti tudo o que podia ser, tudo o que é e tudo o que será e não está disposta a perder-se novamente. Obrigada.

02.12.20

Sonhemos

V.

Sonhemos 

Com um mundo melhor

Um mundo onde o Homem não é Bandalho

Onde a mulher não é Puta

Onde o amor prevalece e o ódio é combatido com compaixão

Sonhemos

Com um mundo onde os fortes protegem os fracos

Onde existe compreensão

As armas são substituídas por diálogos

Um mundo sem guerras

Sonhemos

Com um mundo sem fome

Onde as pessoas ajudam o próximo ao invés de o invejar

Onde nenhuma criança sofre

E nenhum velho é abandonado

Sonhemos

Com um mundo onde a solidão é combatida com abraços

Um mundo de sorrisos

Em que famílias nascidas ou escolhidas se juntam

Onde se tratam os enfermos e se consolam os que os perderam

Sonhemos...

Só porque sim

Só porque podemos

Só porque esta é a época de sonhos

E "o sonho comanda a viva"...

 

 

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