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Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

27.05.21

Não me sobram sonhos...

V.

Não me sobram sonhos, apenas pedidos. Que o sofrimento não seja mais do que eu consiga suportar, que a saúde não me falte para criar a minha cria, que eu a acompanhe durante muitos e longos anos e que quando eu partir deste mundo ela continue a crescer e a ser forte, saudável e feliz. São pedidos, preces ou orações, mas não são sonhos. Esses morreram, partiram para não mais voltar sendo substituídos pela flagrante realidade que as agruras da vida trouxeram.

Sou uma alma sonhadora, como me chamaram um dia... mas como vive uma alma sonhadora a quem não sobram sonhos? Como se continua a caminhada da vida sem o amparo e a companhia da esperança? Como se muda a natureza de um coração? Preciso que este fique empedernido para não mais sentir, porque com o sentimento, inevitavelmente, tem vindo o sofrimento.

Sinto apenas a ausência, o vazio. Onde sobejavam desejos, segredos e quimeras, reside apenas o silêncio. Um silêncio ensurdecedor que preenche a minha mente e apaga as palavras. Não nasce mais em mim o doce fruto dos vocábulos. Numa antítese que só aos humanos pertence, faltam-me as palavras quando mais preciso falar. Quedo-me muda e fecho-me ao mundo porque só o amor me fazia bulir. Foram-se os sonhos, foram-se com o meu amor...

30.03.21

Nunca te arrependas

V.

Eu cometi um erro... aliás cometi vários, mas o maior de todos foi achar que um dia ia deixar de te amar. Acreditar que este sentimento que crescia e pulsava dentro de mim, um dia iria embora como veio. Pensar que eu seria capaz de abrir mão da felicidade que me trouxeste, da alegria com que salpicaste a minha vida e os meus dias. 

Não me arrependo, como poderia, se és tudo que sonhei e mais? Todos os momentos que passámos juntos ficaram gravados em mim, cada toque, cada beijo, cada palavra, como fonte de água fresca que sacia a minha sede de amor. Procuro respostas nas estrelas, converso com a lua e faço pedidos ao mar. Peço ao vento que te leve os meus beijos e ao sol que nos ilumine. Quando me deito imagino o teu corpo encostado ao meu, o teu calor e o teu carinho. Fecho os olhos e imagino que estou a encostar o rosto na curva do teu pescoço e te respiro, continuas a ser o meu oxigénio favorito. Tenho conversas longas contigo em que te digo tudo o que fica por dizer, tudo que não tenho coragem de verbalizar e sonho contigo para apaziguar as saudades que me engolem.

Quis tanto acreditar, tanto, tanto que acreditei. Quis crer que as histórias de encantar eram possíveis e foram. Quis que fosses o meu príncipe e és. Quis viver aquele amor único e belo que todos procuramos e vivi.

Mas como se volta atrás? Como se recua de uma vida em que o nosso coração está pleno, completo, preso na mais livre loucura, para o antes? Para os dias em que havia um vazio, uma estagnação e dureza de sentimentos que cobriam a verdade que ia lá dentro? Como se passa de ter tudo, para perder o tudo que se encontrou? 

Sabes, eu não te esperava. Não esperava que o teu sorriso me desarmasse, que o teu carinho colocasse por terra anos e anos de defesas bem montadas. Não esperava que o teu amor curasse a dor que trazia cá dentro, que o teu corpo me fizesse conhecer o meu como nunca conheci. E acima de tudo não esperava que os teus lábios soubessem ao meu destino e os teus braços sentissem como o meu lar.

Se tudo isto faz sentido? Não, provavelmente, não. Se é aceitável? Possível? Desejável? Também não. Se é o que me deu a mim sentido, se é o que eu desejo, aspiro e almejo todos os dias? Então aí a resposta é, definitivamente, sim...

Seja qual for o nosso destino, não me arrependo. Sem ti nunca saberia que algo assim é possível. Que podemos nos sentir tão completos com alguém sem termos que deixar de ser nós próprios. Que um amor sem tabus, sem barreiras é possível e que o sempre e só, só a nós pertence. Deixaste de acreditar ou talvez eu te tenha desiludido... seja qual for a resposta, a única coisa que espero é que nunca te arrependas.

09.12.20

Pesadelo

V.

Sonhos perdidos no vento

A dor de um coração partido

Olhares vazios no firmamento

A tristeza de um amor ferido

 

Corro, corro e não te alcanço

Grito, um grito trôpego

Só no teu peito forte há descanso

Só o teu beijo me dá fôlego 

 

Sem ti, o mundo torna-se inferno

O leão do desespero ruge sobre mim

Preciso do teu toque terno

Preciso de ti até ao fim

 

Vais fugir, desaparecer

Vais correr o mundo, viver

E o meu coração irá fechar

No dia em que isto acabar.

 

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