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Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

30.03.21

Nunca te arrependas

V.

Eu cometi um erro... aliás cometi vários, mas o maior de todos foi achar que um dia ia deixar de te amar. Acreditar que este sentimento que crescia e pulsava dentro de mim, um dia iria embora como veio. Pensar que eu seria capaz de abrir mão da felicidade que me trouxeste, da alegria com que salpicaste a minha vida e os meus dias. 

Não me arrependo, como poderia, se és tudo que sonhei e mais? Todos os momentos que passámos juntos ficaram gravados em mim, cada toque, cada beijo, cada palavra, como fonte de água fresca que sacia a minha sede de amor. Procuro respostas nas estrelas, converso com a lua e faço pedidos ao mar. Peço ao vento que te leve os meus beijos e ao sol que nos ilumine. Quando me deito imagino o teu corpo encostado ao meu, o teu calor e o teu carinho. Fecho os olhos e imagino que estou a encostar o rosto na curva do teu pescoço e te respiro, continuas a ser o meu oxigénio favorito. Tenho conversas longas contigo em que te digo tudo o que fica por dizer, tudo que não tenho coragem de verbalizar e sonho contigo para apaziguar as saudades que me engolem.

Quis tanto acreditar, tanto, tanto que acreditei. Quis crer que as histórias de encantar eram possíveis e foram. Quis que fosses o meu príncipe e és. Quis viver aquele amor único e belo que todos procuramos e vivi.

Mas como se volta atrás? Como se recua de uma vida em que o nosso coração está pleno, completo, preso na mais livre loucura, para o antes? Para os dias em que havia um vazio, uma estagnação e dureza de sentimentos que cobriam a verdade que ia lá dentro? Como se passa de ter tudo, para perder o tudo que se encontrou? 

Sabes, eu não te esperava. Não esperava que o teu sorriso me desarmasse, que o teu carinho colocasse por terra anos e anos de defesas bem montadas. Não esperava que o teu amor curasse a dor que trazia cá dentro, que o teu corpo me fizesse conhecer o meu como nunca conheci. E acima de tudo não esperava que os teus lábios soubessem ao meu destino e os teus braços sentissem como o meu lar.

Se tudo isto faz sentido? Não, provavelmente, não. Se é aceitável? Possível? Desejável? Também não. Se é o que me deu a mim sentido, se é o que eu desejo, aspiro e almejo todos os dias? Então aí a resposta é, definitivamente, sim...

Seja qual for o nosso destino, não me arrependo. Sem ti nunca saberia que algo assim é possível. Que podemos nos sentir tão completos com alguém sem termos que deixar de ser nós próprios. Que um amor sem tabus, sem barreiras é possível e que o sempre e só, só a nós pertence. Deixaste de acreditar ou talvez eu te tenha desiludido... seja qual for a resposta, a única coisa que espero é que nunca te arrependas.

26.02.21

Um amor que nunca foi

V.

Abriam uma garrafa de vinho, era o interregno deles nas maratonas de amor. Ele contava as suas histórias, alegre como um miúdo enquanto recordava memórias do passado, ela sorria, mais embriagada pelas palavras dele do que pelo vinho. Naqueles momentos sentiam-se jovens, leves, longe de todos os problemas e obrigações. Só existiam eles, aquele momento, nada os podia afetar. Davam gargalhadas, brincavam, partilhavam... mais íntimos naquele momento do que quando faziam amor, porque era aqui que as suas almas se abriam uma para a outra e não apenas o seu corpo.

Era destes momentos que ela sentia mais falta. Aquela sensação de felicidade plena, de que a vida finalmente fazia sentido e estava tudo bem com o mundo. Ver a alegria nos olhos dele, a forma como a olhava, ouvir a sua voz, sentir o seu calor e o seu carinho. Sim... sentia falta de tudo nele, mas era nestes momentos que eram mais felizes... (continua)

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