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Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

14.06.21

SENTIR

V.

Fazemos tudo para embrutecer os sentidos. Todas estas apps, redes sociais, automatismos, servem apenas para entorpecer as emoções, para nos impedir de sentir, de experimentar a vida com toda a sua beleza, alegria, felicidade, mas também, miséria, dor e horror. Enquanto percorremos sem sentido canais e scrolls, desprovidos de corrente mental, não pensamos, não somos inundados de emoções, não nos sentimos assoberbados. Ver fantasias, ilusões e cenários abstrai-nos da nossa própria realidade. Com o olvidar do nosso contexto vem o alívio inerente ao esquecimento e vazio. Todavia, torna-se também difícil criar.

Para criar é preciso sentir a vida ao máximo, o bom e o mau, ser inundado por ela com toda a sua intensidade e sem anestesias. Sim, criar é um processo que começa com a destruição... a destruição de todas as barreiras entre nós e a vida, o jorrar de tudo que está cá dentro para o papel, partitura, tela, não importa a ferramenta da arte escolhida. É como um rio desenfreado cujo leito é a caneta e sem ela existem somente barragens. Depois da destruição, vem o aglomerar de todos os sentimentos, emoções, experiências, beleza, divindade, mas também de toda a fealdade, caos, mundano, insacro e nojeira... junta-se tudo e transcreve-se sem o uso da razão, sem a censura do ego e despojados das limitações da mente. O racional, o intelecto são os últimos passos para que possamos dar um sentido inteligível ao que escrevemos e não termos apenas palavras soltas e frases esquizofrénicas. Mas para todo este processo ser possível, temos que, acima de tudo, SENTIR...

11.06.21

Como "Daisy" para "Gatsby"

V.

Ela adorava ler, poderia passar o dia todo com o nariz enfiado num livro se este a interessasse. Um dos seus livros preferidos era "O Great Gatsby". Tal como Gatsby, ela queria acreditar no amor, na sua força avassaladora e como tudo supera. Era capaz de grandes sacrifícios pelo seu amado e de fazer o que fosse preciso para o conquistar. E ele era a sua "Daisy", a sua luz verde na doca, a esperança de que todo o sofrimento tinha afinal valido a pena para agora ter a felicidade que tanto ansiava. Mas, tal como Daisy, no fim, ele iria sempre escolher a segurança, o status quo, a continuidade. Escudado na velha máxima de que "não queria ver ninguém sofrer", esquecido de que ela, o seu "Gatsby", sofreria sozinha, ela e só ela sairia magoada, ainda que a dor dela fosse de somenos importância no enredo da vida dele.

Curioso como o Universo manda sinais... sempre tinha sentido uma grande afinidade com a personagem de Gatsby, mal podia adivinhar que o destino de ambos seria semelhante... Restava-lhe esperar que não fosse completamente igual.

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