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Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

27.05.21

Não me sobram sonhos...

V.

Não me sobram sonhos, apenas pedidos. Que o sofrimento não seja mais do que eu consiga suportar, que a saúde não me falte para criar a minha cria, que eu a acompanhe durante muitos e longos anos e que quando eu partir deste mundo ela continue a crescer e a ser forte, saudável e feliz. São pedidos, preces ou orações, mas não são sonhos. Esses morreram, partiram para não mais voltar sendo substituídos pela flagrante realidade que as agruras da vida trouxeram.

Sou uma alma sonhadora, como me chamaram um dia... mas como vive uma alma sonhadora a quem não sobram sonhos? Como se continua a caminhada da vida sem o amparo e a companhia da esperança? Como se muda a natureza de um coração? Preciso que este fique empedernido para não mais sentir, porque com o sentimento, inevitavelmente, tem vindo o sofrimento.

Sinto apenas a ausência, o vazio. Onde sobejavam desejos, segredos e quimeras, reside apenas o silêncio. Um silêncio ensurdecedor que preenche a minha mente e apaga as palavras. Não nasce mais em mim o doce fruto dos vocábulos. Numa antítese que só aos humanos pertence, faltam-me as palavras quando mais preciso falar. Quedo-me muda e fecho-me ao mundo porque só o amor me fazia bulir. Foram-se os sonhos, foram-se com o meu amor...

03.05.21

Alma lavada

V.

A água que cai do chuveiro mistura-se com as suas lágrimas, o calor disfarça os olhos vermelhos e o barulho da água sufoca o seu soluçar. Nestes breves momentos, ela permite-se sentir toda a tristeza que assola o seu coração, toda a dor que a tolhe. Estes são os seus minutos consigo, quando ela despe a armadura e é ela própria, com todo o sofrimento que a afunda até cair de joelhos na laje fria. Sussurra uma prece, pede aos anjos que a ajudem a levantar novamente, que a força não a abandone, porque a luta não termina aqui e a vida espera-a impaciente do lado de lá da porta.
Lava o cabelo duas vezes, porque perdida nos seus pensamentos esqueceu-se se o tinha lavado ou não, esfrega o corpo com intensidade, numa vã tentativa de lavar o sofrimento, fecha os olhos contra o jorrar da água e as imagens passam sem cessar na sua mente. Todos os momentos de carinho, amor e desejo que se perderam, contraste flagrante e sórdido com a indiferença de que é alvo agora. As dúvidas rodopiam na sua cabeça, as perguntas que não fez presas na garganta junto com o oxigénio que sustem nos pulmões. Não há água que lave uma alma perdida, todos os dias ela espera sair do chuveiro com a alma lavada, mas sai apenas lavada em lágrimas...

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