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Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

Feiticeira das Palavras

Preparação do feitiço: Pega-se num sujeito interessante, junta-se uma pitada de verbos, mexe-se bem o predicado, acrescenta-se uns adjectivos e, abracadabra, temos a magia das palavras, a alquimia dos textos.

26.02.21

Um amor que nunca foi

V.

Abriam uma garrafa de vinho, era o interregno deles nas maratonas de amor. Ele contava as suas histórias, alegre como um miúdo enquanto recordava memórias do passado, ela sorria, mais embriagada pelas palavras dele do que pelo vinho. Naqueles momentos sentiam-se jovens, leves, longe de todos os problemas e obrigações. Só existiam eles, aquele momento, nada os podia afetar. Davam gargalhadas, brincavam, partilhavam... mais íntimos naquele momento do que quando faziam amor, porque era aqui que as suas almas se abriam uma para a outra e não apenas o seu corpo.

Era destes momentos que ela sentia mais falta. Aquela sensação de felicidade plena, de que a vida finalmente fazia sentido e estava tudo bem com o mundo. Ver a alegria nos olhos dele, a forma como a olhava, ouvir a sua voz, sentir o seu calor e o seu carinho. Sim... sentia falta de tudo nele, mas era nestes momentos que eram mais felizes... (continua)

24.02.21

Lágrimas de mulher

V.

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É comum dizer-se que "Deus conta as lágrimas das mulheres". Não pode ser verdade... se assim fosse, não teria tempo para mais nada. Na sua maioria, as mulheres choram em silêncio, quando a casa dorme ou sem ninguém ver. Libertam as suas mágoas, as injustiças que sofrem, as suas tristezas através das lágrimas salgadas que sulcam mudas o seu rosto. Choram em vergonha, tentando que ninguém veja a sua vulnerabilidade, não querem explicar o porquê, nem o que sentem porque, no fundo, acham que ninguém iria compreender. Choram sorrindo, enquanto brincam com os filhos ou agem como se tudo estivesse bem e o seu coração não pesasse tanto como a âncora que as prende e esmaga.

O mundo é ainda um lugar tão mais injusto para as mulheres, tão mais perigoso, tão mais difícil. É cansativo lutar todos os dias, trabalhar tanto, corresponder aos arquétipos de perfeição que esperam de nós. Ser a super mulher, super mãe, super filha, super tudo, todos os dias. Querer ter uma carreira, uma família, tratar de uma casa, ser elegante, inteligente, andar arranjada, ser calma, ponderada, levantar às 6:30 e deitar à meia noite, mas não ter olheiras, ler e ser culta, ver programas interessantes, mas ter a casa sempre organizada, ser uma cuidadora, mas de lábios pintados, ter personalidade e ser interessante, mas sem ter mau feitio.... 

Se somos sensíveis e choramos, somos rotuladas de emocionais, "ela passa a vida a chorar", se somos mais racionais e engolimos os sentimentos, "ela é muito fria", se somos alegres e impulsivas, somos levianas, "ela é uma tola", se somos sérias e severas, "ela é rígida", se somos tímidas e introvertidas, "ela é um bicho do buraco"... somos, passo a expressão, "presas por ter cão e por não ter". Já não falo das milhares de mulheres que não têm direitos, vítimas de abusos e maltrato, as que sofrem também em silêncio, mas sem esperança de "salvação".

Perdoem-me os homens que também terão as suas batalhas e tristezas, mas falo enquanto mulher, das dores do meu sexo. Falo das lágrimas anónimas que, muitas vezes, nem entre nós partilhamos, das dores e tristezas que arrumamos na "gaveta" porque não há tempo para isso agora, não adianta me lamentar, ninguém quer saber e não, esta é a vida que escolhi ou qualquer uma das muitas justificações ou desculpas que damos a nós próprias. Falo da falta que faz poder chorar livremente e sem julgamento, lavando a alma e aliviando as mágoas, falo da liberdade de sermos nós próprias, emocionais ou não, de ter quem nos aceite com lágrimas e cicatrizes incluídas, de não ter medo de assustar alguém com a riqueza de sentimentos e emoções que nos preenchem, falo do que sei e conheço, como tantas e tantas mulheres que seriam, no fundo, todas elas.

Não, Deus não pode contar as lágrimas das mulheres porque, infelizmente, elas enchem oceanos.

 

22.02.21

Estranha forma de vida

V.

Estranha forma de vida esta. Sabemos quem somos porque nos fomos conhecendo bem ao longo dos anos... intrinsecamente, intimamente, sem segredos ou falsidades. Há momentos de afastamento, outros de aproximação. Às vezes rimos, outras chorámos, mas não há barreiras, nem limites.

Ainda assim há tanto para conhecer, tanto para descobrir, todo um "mundo" escondido e fechado por trás de "portas". Tanto vazio e tanto silêncio por preencher que, às vezes, é desconfortável e recheamos o ar de ruído só para "fazer companhia".

Sim, é isso mesmo, quando achamos que nos conhecemos completamente, eis que nos apercebemos que já mudámos e temos que recomeçar o caminho do auto-conhecimento novamente.

18.02.21

Rascunhos da vida II

V.

Curiosamente, era de noite que as palavras lhe fluíam mais. Mesmo com o cansaço... Cansaço ou exaustão, ela já não sabia bem. Mas, mesmo quando já não tinha forças, as palavras brotavam nela como nascente de água fresca.

Era a sua forma de apaziguar os seus demónios, para que não a perseguissem durante a noite. Fluíam nas palavras todas as suas preocupações, medos e angústias. Era tão ela nos seus "farrapos de texto", como ela os gostava de chamar... tão autêntica, tão genuína. Como se o sangue das suas veias escorresse na tinta da caneta. A folha era o seu psicólogo, confessor, refúgio.

Afinal, os medos e angústias estão sempre lá, mas as musas são criaturas temperamentais e só surgem quando querem. E, claramente, para as musas dela, a noite era o seu momento de eleição...

15.02.21

Proximidade...

V.

Senti os raios de sol e pensei: temos o mesmo céu, somos aquecidos pelo mesmo calor, vemos as mesmas nuvens e sentimos a mesma brisa. Tive este sentimento de proximidade que tanta falta me tem feito. Proximidade... algo que dávamos por garantido, se não com toda gente, pelo menos com algumas pessoas. 

No próximo mês faz um ano que perdi a proximidade e com ela foi-se grande parte do carinho, conforto, gargalhadas e claro, convívios. Dizem-nos que estamos perto do fim, ou que está quase. Este quase tarda a chegar, cresce o desespero de dia para dia e fica a pergunta "E depois?". Sim... e depois? será tudo igual? voltaremos a carregar no botão de "play" da vida e retornará tudo ao que era? Seremos nós as mesmas pessoas que éramos há um ano atrás? 

Com a falta de proximidade muita coisa mudou, relações se transformaram, pessoas mudaram, negócios fecharam, corações se partiram, outros se descobriram. Aqueles que perderam tanto não poderão ser mais os mesmos, terão que encontrar novas motivações e alegrias. Eu sei que eu não sou mais a mesma, nestes meses de clausura encontrei partes de mim que desconhecia, alguns sentimentos mudaram, outros ficaram mais fortes resistindo à passagem do tempo; sou, talvez até, mais autêntica, mais eu. Não perdi a esperança, a fé e a vontade de viver, mas também novos medos se alevantaram, novas dúvidas se instalaram e fantasmas antigos voltaram. 

Olharemos uns para os outros com mais compreensão e compaixão? ou seremos mais desconfiados? Será que haverá uma proximidade maior? Cumplicidade? Ou o afastamento, ainda que não físico, permanecerá? Eu quero crer que algo de positivo poderá sair depois de todo o sofrimento, que o Homem aprenderá a dar mais valor ao que realmente interessa, que estamos todos mais cientes da nossa própria mortalidade e, como tal, daremos mais importância à vida e aos seus pequenos prazeres. Ah a minha eterna esperança na Humanidade, tão boa que ela é e tantas vezes me desiludo por causa dela. Mas oh quando ela não desilude, quão magnífico é ver a Humanidade no seu melhor.

Fica então aqui a minha esperança que depois de tudo isto, o mundo seja melhor... com mais compreensão, cumplicidade e compaixão. Que honremos os nossos mortos construindo uma sociedade melhor em seu nome; que o que foi destruído dê lugar ao renascimento; que confortemos em conjunto os que sofrem até sararem; que possamos dar as mãos uns aos outros; amparar a vida com amizade e carinho e crescer enquanto humanidade. Que um dia quando nos perguntarem "Então e depois?", que a nossa resposta possa ser "Bem... depois houve proximidade".

10.02.21

Ele está aí...

V.

Os pássaros saíram dos ninhos,

voavam em círculos de felicidade 

E gritavam "ele saiu, ele está aí" 

As gotas da chuva brilhavam na relva como diamantes,

enfeitando os campos com o seu brilho

As árvores e flores esticavam os braços,

espalhando o seu aroma

A terra suspirava aliviada pela pausa ansiada,

sentindo o calor chegar às raízes

O mundo acordava depois da clausura,

numa dança alegre com a natureza,

buscando novas aventuras

Os rios galopavam para o mar,

fustigando as margens cansadas

E o mar recebia-os de braços abertos,

aceitando os seus filhos com a força do seu dorso

As borboletas saíam dos casulos,

trocando a proteção por asas

E as abelhas da colmeia,

em busca do pólen da vida

Todos gritavam "ele saiu, ele está aí" 

Numa alegria desmesurada de quem experimenta a vida,

de quem tem sede de viver

Afinal, sol é vida e ele saiu, ele está aí...

 

09.02.21

Desabafos confinados II

V.

Dentro de mim há um turbilhão, uma escuridão que ameaça tomar conta da minha alma. Esta voz na minha cabeça que repete incessantemente "não és suficiente", "não vales nada", "que interesse tens tu?". Dei um nome a esta personagem que vive na minha cabeça, chamo-lhe Mefistófeles de Celorico" em homenagem ao João da Ega dos Maias. Luto constantemente contra ele, acordo todos os dias determinada a ter um bom dia, a ser feliz, apesar de restrições, saudades e confinamentos. Procuro alegrias (ainda que pequenas), procuro sorrir, ser fonte de tranquilidade e paz para quem precisa, voz positiva que traz luz aos que me rodeiam (nem que seja virtualmente).

Procuro fazer desporto, ler, meditar, escrever. Tento ser produtiva no meu trabalho, apesar das condições, tento dar umas gargalhadas contagiantes ou não dar preocupações a quem já anda de si tão preocupado. Bebo chá verde, tomo vitaminas, comer saudavelmente, manter-me o mais ativa que consigo para afastar as doenças, seguindo a velha máxima de "mente sã, corpo são". Tento manter-me presente, no agora, analisando o que sinto e tentando não deixar o turbilhão ganhar terreno, manter a minha imaginação e "chalupice" controladas. 

Não consigo deixar de pensar que, se todos tentássemos um bocadinho mais, o mundo seria um local menos frio, menos mau. Nem sequer é preciso muito, às vezes basta respirar fundo e ter um pouco de paciência, ouvir mais do que se fala e ouvir mesmo, com atenção, o que nos dizem e o que não nos dizem. Não sou mais do que ninguém, ninguém é (apesar do meu Mefistófeles achar que todos são melhores do que eu), mas já aprendi que é demasiado fácil julgar e muito difícil compreender. O primeiro instinto é sempre julgar com base na nossa experiência, conhecimento e emoções, mas somos todos diferentes, com percursos diferentes e, se não tentarmos compreender o outro, nunca ninguém nos "tocará" realmente. 

Conselhos... não os tenho hoje, só que façam o melhor para vocês e, se possível, um bocadinho mais...

05.02.21

Desabafos confinados

V.

Há dias em que não consigo mais ver notícias, redes sociais, notificações e afins... são maldades em cima de maldades. Em tempos, já de si tão difíceis, o ser humano consegue ainda superar-se na extraordinária tarefa de piorar tudo. São casos de vacinas "mal empregues", violência gratuita, animais maltratados, crianças que passam fome, oportunismo social, político e económico... é medonho, nojento, vil. Dou por mim em lágrimas a ver uma reportagem e a ter muita dificuldade em acreditar na humanidade. 

Quando chego a este ponto, tenho que parar, não aguento. Sei que não vale a pena tapar os olhos e os ouvidos e fingir que não se passa nada mas, se aprendi algo no primeiro confinamento, foi que tenho que preservar a minha saúde mental. Tento fazer algo que me anime, ler algo bom, brincar com a minha filha, correr, ver séries, algo que me permita esquecer as atrocidades e sossegar o pesar que me vai no coração. Procuro restaurar de alguma forma a minha crença na bondade humana e não esquecer a velha máxima de Fred Rogers:

 

"Look for the helpers. You will always find people that are helping."

 

Nem sempre é fácil, há lutas internas em mim, diálogos entre a pessimista e a otimista, moderadas pela mais matura e experiente, numa esquizofrenia controlada da minha mente com as "vozes" interiores. Afinal, todos temos um pouco de loucos em nós, senão como conseguiríamos sobreviver neste mundo? Tenho que me relembrar que todos sem exceção, lutamos batalhas internas, que, regra geral, as pessoas fazem o melhor que sabem com a informação e o conhecimento que têm, que somos seres complexos e cometemos erros. Procuro pensar nas minhas pessoas, as pessoas que gosto e amo, pessoas decentes, sem maldade, que cometem erros, mas são intrinsecamente boas e relembrar-me que a grande maioria é assim mesmo.

Sim, não é fácil, mas é possível. Os confinamentos têm estas coisas, tornam tudo mais difícil, as gargalhadas e os momentos de alegria são escassos e sentimos, muitas vezes, que estamos a desperdiçar a nossa vida. Somos arrastados pelas más notícias, assoberbados pelo sofrimentos e temos que nos manter à tona, respirar, viver o agora, não criar cenários escabrosos na nossa imaginação, acreditar que há mais pessoas a ajudar que a prejudicar, procurar a humanidade no seu melhor e não no seu bestial.

Sim, não é fácil, mas é possível...

03.02.21

Estás sempre comigo

V.

Mesmo à distância te encontro, nos meus sonhos, nos meus pensamentos. Há brisas de vento que me beijam com os teus lábios, arrepios que são carícias tuas, raios de sol que são abraços teus. Nunca estou sem ti, nunca estás longe, porque moras no meu coração.

Fazes parte de mim, és intrinsecamente meu, como eu sou incondicionalmente tua. Somos seres individuais sim, vivemos vidas separadas sim, mas estás sempre presente, falas comigo, vejo o teu rosto, beijo os teus lábios. Não, a distância não nos separa, as diferenças não nos condenam, a sociedade não nos aparta. É algo superior, escrito nas estrelas do destino, inevitável e basilar. 

Com todo o grande amor, existe uma dose de dor, não há tamanha felicidade sem a tristeza a ela associada, como em tudo na vida, os contrários tocam-se e caminham de mãos dadas. É necessário encontrar o equilíbrio e a paz. A vida não é sempre como queremos e as contrariedades estarão sempre presentes. Este sentimento é demasiado bom para se perder por não se encaixar num qualquer papel ou rótulo do aceitável, expectável ou desejável. 

És luz na minha vida, norte e sentido, és alegria e felicidade como nunca conheci e não mais quero viver na escuridão. Não importa a distância, as condicionantes ou, até mesmo a dor de não estar contigo... até porque, estás sempre comigo.

02.02.21

Amar e perder...

V.

Esta semana perguntaram-me se era melhor sofrer por se perder alguém ou nunca ter tido a pessoa? Porque se nunca tivermos a pessoa, não temos que passar pelo sofrimento de a perder. Compreendo esse raciocínio, mas discordo. Se nos causa dor quando perdemos, é porque nos trouxe grande alegria quando esteve connosco. Se tivesse sido indiferente, a sua perda não causaria qualquer sentimento. Todas as pessoas que passam pela nossa vida acrescentam algo, quanto mais não seja boas recordações. Regra geral, trazem até muito mais do que isso, trazem lições, sobre nós próprios ou sobre o outro, conhecimento, maturidade, compreensão.

Por muito que não gostemos de admitir, com o sofrimento vem crescimento. Podemos optar por aprender com a dor e crescer, ou continuar um loop infinito de vitimização e não retirar nada da experiência ou acontecimento. É o desconforto causado pelo sofrimento que nos obriga a sair da nossa zona de conforto, a olhar para dentro, fazer uma retrospetiva do que aconteceu e aprender com isso.

Perdemos às vezes pessoas por estupidez, insegurança, imaturidade e nesses casos, crescemos com a aprendizagem e não faremos o mesmo da próxima vez. Outras vezes perdemos a pessoa porque ela simplesmente já não está interessada, a pessoa já desempenhou o papel que tinha a desempenhar na nossa vida. A lição a retirar é que não foi por não sermos suficientes, não nos deixar levar pela ideia de que foi inteiramente culpa nossa e aprendermos que temos que nos amar, mesmo que aquela pessoa já não ame. Seja qual for o motivo, é melhor viver um grande amor e perder, do que nunca amar para não sofrer.

Dirão os mais incautos que é fácil falar, que há pessoas que nunca recuperam completamente, que não é assim tão simples. Concordo, não é um processo fácil, não é, de todo, simples, a recuperação é dolorosa e lenta e há amores que nunca se esquecem, o que, em geral, significa que valeram a pena. Tomara a mim que ninguém sofresse e que fossemos todos felizes para sempre. Mas na vida, a felicidade e a dor caminham de mãos dadas, uma não existe sem a outra, são extremidades que se tocam mais vezes do que gostaríamos. Com o tempo e a experiência, aprendemos a equilibrar, a gerir e a viver com mais tranquilidade, aprendemos a aceitar a dor como a velha companheira que nunca nos deixa verdadeiramente e a compreender que, a maior parte das vezes, é nossa opção sermos assoberbados por ela ou aprender com ela.

O meu único conselho é... amem, não deixem de amar por medo de sofrer. Vale a pena amar, vale tanto a pena, seria uma perda deixar de conhecer esse sentimento maravilhoso apenas por medo.

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